Passarela na China

Certamente há atividades menos perigosas, especialmente sabendo-se que um escorregão pode ser fatal…

Hunan, China

Hunan, China

Milhares de metros acima de uma vertiginosa cadeia de montanhas em Shifou, na província de Hunan, na China, um grupo de trabalhadores estava construindo uma passarela. Essa passarela de pranchões na lateral de uma montanha é a mais comprida do país, com 3 km. de extensão.

Yu Ji, de 48 anos (abaixo) tem trabalhado na construção de edificações em locais altos, como essa estrada de madeira, há mais de 10 anos. Ele comenta que: “Os jovens não querem este tipo de trabalho que exige uma prolongada permanência nas montanhas por meses e até por anos”. Yu Ji encarrega-se dos trabalhos mais perigosos do projeto, tais como perfurar os buracos para encaixar os tubos que vão suportar a passarela. Esses trabalhadores ganham cerca de U$ 18,00/mês, sem mais nada. Estão acostumados e dizem que não é perigoso :  “Você usa as cordas, e então tudo está bem”, afirmam.

I can see for miles: This worker reaches out to tighten the scaffolding

The long drop: Once the path is built, the question is who will want to walk along it?

O mais impressionante é que isso aí era apenas a estrutura para a verdadeira passarela:

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Que é, nada mais nada menos, que uma passarela de vidro!

Isso mesmo, ela possui 90 centímetros de largura e rodeia a montanha Tianmen, a mais de 1,4 quilômetro de altura! Para evitar riscos e desgaste do vidro, os visitantes são obrigados a calçar uma espécie de pantufa (sapato de pano), que ajuda a manter o vidro limpo e com o máximo de transparência.

pontevidro2_thumb pontevidro4_thumb pontevidro19_thumb pontevidro20_thumbO vídeo dá uma ideia:

A pergunta que não quer calar: você passaria por ela?

A tradução que estraga a piada

Como todos os nerds – e os não-nerds – sabem, saiu mais um episódio da Saga Star Wars, aquela que trouxe o vilão mais amado do cinema.

darthDesta vez, a saga está sendo produzida sob o guarda-chuva da Disney, uma vez que seu criador George Lucas vendeu tudo para a empresa do Mickey e está agora apenas como “consultor”, vivendo uma aposentadoria mais do que merecida.

Quem sabe virão bons filmes…

Mas a lenda de que existe um brasileiro brincalhão na equipe de criação persiste, mesmo com todas essas mudanças. Esse brasileiro estaria lá só pra sacanear com o George Lucas, sabendo que o pessoal não entende português, então seria ele o criador dos nomes bizarros dos personagens.

Vejam só os nomes que foram criados:

No episódio 2, de 2002, “Ataque dos Clones”, o grande Christopher Lee aparecia como um personagem que aqui foi traduzido como Conde Dookan, mas o nome dele é Conde Dooku.

Abaixo, vemos o comentarista de duas cabeças que aparece no episódio 1, “Ameaça Fantasma”, de 1999:

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Eles são chamados de Fode e Beed… Só não sei quem Fode… er… Você entendeu.

Tem mais, no mesmo episódio 1, o Capitão Panaka foi batizado aqui de Capitão Panaci. Imagina no cinema, quando alguém o chamasse pelo nome…

Tem mais alguns exemplos, ainda, como o Capitão Typho e a princesa Amidala.

Mas acho que o pior é um personagem que (ainda) não apareceu nos filmes, é apenas citado, e que aqui foi rebatizado como Zaifo-Vias, mas cujo nome original é… Syfo-Dias!

Ahahahahah!

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Mais acima, eu disse que o tal brasileiro brincalhão continuaria na equipe, mesmo com a mudança para a Disney e sendo comandada pelo J. J. Abrams. Pois bem, tenho provas.

No novo episódio de Star Wars, tem uma cena que mostra uma nave do Império destroçada em um planeta. Adivinha o nome do planeta?

Planeta Jaku!

Ahahahahaha!

Só para terminar, tenho um protesto a fazer, ainda no tema “traduções” e “Star Wars”. Não sei se quem assistiu percebeu, mas na nova trilogia (aquela dos episódios 1, 2 e3), o famoso Lado Negro da Força foi trocado por “Lado Sombrio da Força”.

Pô! “Lado Negro” é muito mais legal que “Lado Sombrio”!

Mas essa foi uma vitória do lado negro… Ops!… Do lado sombrio do “politicamente correto”, pelo que entendi. Porque “negro” tem conotação preconceituosa e blá-blá-blá.

Ouvi boatos de que essa mudança não se restringirá ao ex-Lado Negro da Força. Parece que teremos outras mudanças, também:

Lado-sombrio-Classificados2

Lado-sombrio-Raca

Aí, eu penso… Lado negro não pode, mas Black Friday pode?

 

 

A trajetória histórica da Enciclopédia Britânica

Faz algum tempo comentei sobre algumas coisas que os jovens de hoje não conhecem, ou pelo menos, a maioria deles. Uma dessas coisas era a Enciclopédia (aqui). Com essa nova mente “digital”, voltada para absorver muitas informações curtas ao mesmo tempo – e por pouco tempo, já que logo são substituídas por outras! – os jovens não desenvolveram a mente centrada e focada, com mais concentração, que a leitura de um livro exige.

Foi por isso que a Enciclopédia Britânica, a mais antiga do mundo na língua inglesa, anunciou o fim de sua edição impressa. Depois de 244 anos de história, a empresa decidiu focar na versão online, para concorrer diretamente com a Wikipédia. Uma versão básica está disponível gratuitamente no site da Enciclopédia e, para os donos de iPhone e iPad, há um aplicativo oficial também de download grátis. Para ter acesso ao conteúdo completo, o usuário deve pagar uma taxa de 70 dólares anuais.

A primeira Enciclopédia Britânica foi produzida em 1768, em Edimburgo (Escócia), por Andrew Bell, Collin Macfarquhar e William Smellie. Tinha 2.659 páginas, divididas em três volumes, que abrigavam um resumo de todo o conhecimento humano até a data. Com artigos de nomes hoje reconhecidos como Benjamin Franklin e John Locke, o contexto histórico era o auge do iluminismo, e as ideias antropocentristas transpareciam no conteúdo. Definia mulher, por exemplo, como “a fêmea do homem”. Só na segunda edição, lançada em 1784, que tópicos de História e Biologia foram adicionados. Isso fez com que o número de volumes passasse para 10 e a quantidade de páginas atingisse pouco mais de 8.500.

A multiplicação da ciência no século XIX fez com que fossem lançadas cinco edições da enciclopédia. A última, de 1889, considerada uma das melhores coleções escolares de todos os tempos (tinha artigos de Charles Darwin e Karl Marx), disseminou-se pelos Estados Unidos de forma ilegal. Devido ao dano de muitas unidades pirateadas, em 1901 o controle da marca passou aos norte-americanos, que abrigavam um mercado promissor. A 11ª edição, de 1911, foi a primeira a ser replicada por uma gráfica de alta produção. A enciclopédia, impressa tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos, foi dedicada ao presidente norte-americano e ao Rei da coroa britânica.

Anúncio da edição de 1911.

Foi durante a 1ª Guerra Mundial, com a já esperada queda de vendas, que a Enciclopédia Britânica começou sua decadência. A edição de 1920 foi feita em folhas de papel mais baratas, para tentar alavancar as vendas. Quando a marca começava a mostrar sinais de estabilização, veio a Grande Depressão de 1929. Foi para contornar essa crise que a Enciclopédia Britânica bolou a estratégia de vendas porta a porta, que gerou a expressão popular “vendedor de enciclopédia”, que designa alguém chato, insistente.

Na década de 50, Dorita Barret de Sá Putch, norte-americana filha de um alto executivo da editora, veio morar no Brasil e conseguiu a exclusividade da Enciclopédia Britânica para a América Latina. Em 1957, ela lançou a Enciclopédia Barsa, na língua espanhola. A versão em português veio em 1963. O nome era uma combinação do seu primeiro sobrenome com o do marido já falecido.  O lançamento da Enciclopédia Barsa foi o pontapé para que a Britânica lançasse edições japonesa, chinesa, francesa, italiana e coreana.

Os anos de 1970 e 1980, que precederam a era da internet, marcam um pico no consumo de enciclopédias. Só em 1989, as vendas atingiram 120 mil unidades ao ano nos Estados Unidos, marca que nunca mais viria a ser alcançada.

Com a chegada da década de 1990, o mercado de enciclopédias voltou a se abalar. Em um ano, as vendas caíram para 51 mil unidades ao ano. O conteúdo online da Enciclopédia Britânica começou a ser disponibilizado em 1993, apenas para assinantes. A versão em CD-ROM veio só em maio de 1994, custando o surreal preço de 1.000 dólares. Com o fracasso de vendas, em 1999, parte do site passou a ser oferecida gratuitamente, como uma forma de atrair usuários fiéis que se interessassem em comprar o direito de acesso completo.

O primeiro CD-Rom.

Desde que a internet começou a fazer parte do cotidiano do consumidor da Enciclopédia Britânica, elas empacam nas prateleiras. O preço de 1.400 dólares (aproximadamente 4000 reais) pelo conjunto de 32 volumes, aliado à facilidade de pesquisa na web, fez com que o mercado ficasse restrito a colecionadores. A última edição, de 2010, vendeu apenas 8.000 cópias – número 15 vezes menor que os 120 mil vendidos em 1990, pouco antes do estouro da web. É menor até que as vendas da 3ª edição da enciclopédia, de mais de dois séculos antes – a de 1797 vendeu cerca de 10 mil cópias.

Kodak e Polaroid já provaram que ser icônico não é suficiente para se sustentar neste século – a primeira anunciou o fim da produção de máquinas fotográficas, e a segunda faliu em 2008, logo no início da expansão das câmeras digitais. Hoje, temos 10 vezes mais informações armazenáveis do que tínhamos no século XVIII.

A edição de 2010 da Enciclopédia Britânica contava com 32 volumes, 30 mil páginas e cerca de 44 milhões de palavras. Na internet, cabe muito mais.

O curioso é que a tendência de prezar pela praticidade em oposição ao tradicionalismo do papel ainda não chegou ao Brasil. A Enciclopédia Barsa está sólida em seu mercado, preservando a venda de 70 mil coleções ao ano – marca quase 9 vezes maior que a de sua irmã Britânica.

Ela foi comprada em 2000 pelo Grupo Planeta e continua firme e forte nas vendas porta a porta.

São os estudantes o público preferencial da enciclopédia. Ou os pais desses estudantes, já que muitas escolas estão proibindo a prática do “copy/paste”. O hábito do “control C+ Control V” fez surgir uma geração de crianças sem discernimento, um analfabetismo funcional. Elas leem, mas não interpretam.

Existe, ainda, um apelo não só ao zelo, mas à nostalgia desses pais. É gente que, em sua época de escola, não pôde comprar a Barsa. E que, agora, vê a oportunidade de satisfazer o desejo, nem que tardiamente e por meio dos filhos. Hoje, o valor de uma TV de 42 polegadas se equipara ao de uma Barsa, e as maiores vendas estão no Norte e no Nordeste do país. Em segundo lugar, vem Minas Gerais e o Espírito Santo.

A Barsa ainda tem um vida longa e próspera pela frente, aparentemente…

Fonte:

http://guiadoscuriosos.com.br
G1