PELES VERMELHAS. O VERDADEIRO ROSTO DOS INDÍGENAS NORTE-AMERICANOS

Tive a honra, um dia, apresentado pela amiga comum Clene Salles, de conhecer o grande jornalista Luís Pellegrini, criador da revista Planeta e autor de diversos livros, além de editor de sucesso e responsável pela revista Oásis, no 247.

O Brasil 247 foi o primeiro jornal brasileiro desenvolvido para o iPad, outros tablets e smartphones. No mundo, foi o segundo, atrás apenas do The Daily, mas foi o primeiro com uma experiência aberta e gratuita.

Foi no 247 que Pellegrini publicou a reportagem cujo resumo apresento a seguir, como minha homenagem ao jornalista e, especialmente, ao nobre povo do norte, tão espoliado pelo conquistador branco.

Quem quiser ler a matéria completa e com muito mais fotos e informações, basta clicar neste link. Vale muito a pena, é sensacional:

Eles se saudavam dizendo “hog”, não “augh”; não possuíam cavalos, não arrancavam escalpos, não eram vermelhos. A verdade sobre um mundo romanceado no cinema, nas fotos extraordinárias de Edward S. Curtis.

Por: Luis Pellegrini

Fotos: Edward S. Curtis

Poucos conhecem a história de Edward S. Curtis, o legendário fotógrafo que dedicou sua vida (1868-1952) aos índios da América do Norte. Entre o final do século 19 e o início do século 20, Curtis atravessou os vastos territórios dos Estados Unidos e do Canadá para conhecer as populações indígenas americanas, gravar suas vozes e cantos, contar suas histórias e, sobretudo, gravar na película fotográfica  seus rostos e retratos. Em 25 anos de trabalho intenso e viagens incessantes ele conseguiu reunir o maior acervo de imagens do mundo sobre os peles vermelhas. Calcula-se que tirou entre 30 e 60 mil fotografias, embora apenas 2.200 tenham chegado até nós.

Esse material fotográfico, apesar do tempo e dos recursos técnicos não muito desenvolvidos naquela época, nos revela um mundo extraordinário de figuras de chefes tribais, homens de medicina, guerreiros, caçadores. Sobretudo, existe um ponto em comum em quase todos esses rostos indígenas que Curtis preservou para a posteridade: sua extraordinária dignidade. São vultos severos, embora serenos. São homens e mulheres nos quais se adivinha uma grande força vital, segurança, nobreza e confiança em si mesmos. Filhos da Terra, homens e mulheres na verdadeira acepção da palavra.

Grande chefe cherokee (1900)

Grande chefe cherokee (1900)

Xamã

Xamã

Lugares comuns a serem eliminados

Grande chefe. À parte figuras carismáticas como Cavalo Louco, de caráter irredutível, ou o diplomático Nuvem Vermelha, ambos surgidos da necessidade de unirem-se contra os brancos, não existiam verdadeiros chefes entre os índios norte-americanos. Existiam “expertos”, autoridades nessa ou naquela atividade. Por exemplo, especialistas nas artes da guerra (geralmente homens nascidos sob o signo do urso), expertos em encontrar fontes de água, chefes da caça, chefes da construção de acampamentos, homens de medicina, e por aí em diante. Todas as decisões importantes eram tomadas pelos conselhos tribais. O chefe não era entendido como nós, ocidentais, entendemos. Ele era um simples porta-voz ou o encarregado de desempenhar determinada missão pelo conselho. Considera-se que a Constituição dos Estados Unidos tenha seu ponto de partida exatamente  nos padrões da democracia dos iroqueses.

Retrato de chefe indigena

Retrato de chefe indigena

O totem. Grande mastro esculpido, com funções mágicas e ritualísticas, eram usados apenas pelas tribos do noroeste americano, sobretudo as da costa do Pacífico do Canadá. Não tinham nada a ver com os prisioneiros, mas sim, serviam para mostrar as efígies dos animais protetores dos antepassados que deram origem à tribo.

Pele vermelha. Os índios não eram vermelhos. Para se proteger do sol algumas tribos costumavam passar terra sobre a pele, e isso dava a eles uma tonalidade avermelhada. A cor da pele dos índios norte-americanos é a mesma dos seus antepassados longínquos que vieram da Ásia, aparentados aos modernos chineses, mongóis, japoneses e coreanos.

Membro do Conselho dos Anciãos da tribo.

Membro do Conselho dos Anciãos da tribo.

Velhos sábios. Eles realmente existiam, eram muito respeitados e geralmente faziam parte dos conselhos tribais. Mas as sociedades indígenas não eram assistencialistas: os velhos, embora muito escutados, tornavam-se um peso quando deixavam de ser autossuficientes. Nesse ponto, a maior parte abandonava discretamente o grupo, para morrer sozinhos na vastidão da pradaria ou da floresta.

Galeria

Uma patrulha armada dos sioux (1908)

Antes da chegada dos europeus, as diferentes tribos podiam entrar em conflito, mas elas não tinham uma política expansionista. Os conflitos se reduziam em geral a lutas esporádicas, quase sempre por razões territoriais e ritualísticas. Haviam inimizades históricas e tradicionais, como  as que existiam entre os sioux e os pawnee. Os jovens, quase sempre sem motivos sérios, faziam incursões “iniciáticas” às quais se seguiam represálias.
Mas haviam alguns mecanismos para controlar a agressividade: encontrar um inimigo do seu próprio signo animal provocava a anulação do combate. A fraternidade mágica e espiritual era mais importante do que qualquer rivalidade tribal. Por outro lado, matar alguém, mesmo um inimigo em combate, não era isento de consequências. Isso obrigava o vencedor a longos e trabalhosos rituais de purificação: preferia-se, assim, ferir o inimigo, muito mais que matá-lo.

Barriga de urso. Os índios quase sempre tinham nomes de animais, ou ligados a animais. Mas o animal tutelar de um indivíduo podia mudar ao longo da vida.

Barriga de Urso, retratado nesta foto, contou a Curtis como conseguiu seu nome e também a pele de urso que usava: “Subi num rochedo. Lá embaixo, avistei três ursos. Esperei até que o segundo estivesse junto ao primeiro e disparei minha arma. O urso mais distante caiu, a bala atravessara o corpo do primeiro para se alojar no crânio do segundo. O primeiro, apesar de ferido, investiu contra mim, e eu disparei novamente, rompendo-lhe a espinha dorsal. Um ruído me fez lembrar do terceiro urso: ele corria rosnando e estava a apenas 6 passos de mim. Quando disparei, o cano do fuzil tocava o seu peito, e o matei. Aquele com a espinha quebrada se arrastava ainda. Eu me aproximei e lhe disse: ‘Vim para te encontrar, meu caro amigo, para te manter sempre comigo’. E atirei nele mais uma vez”.

Nuvem Vermelha, o diplomata. Ficou famoso pela erudição e a clareza e lógica dos seus argumentos, nos encontros diplomáticos com os brancos para se chegar a um entendimento.

Metralhadora a cavalo. Um índio apsaroke com arco e flecha, outras duas flechas já prontas na mão e uma na boca. Os apsaroke, também conhecidos como Crow, pertenciam ao grupo linguístico dos Sioux e viviam nas planícies de Montana e de Dakota do Sul.

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Por trás das câmeras

Muita gente – eu também – fica imaginando o que acontece nos bastidores das filmagens. Na verdade, os grandes astros são apenas “gente como a gente” (ou quase como a gente…), que brincam e se divertem como qualquer um.

As fotos a seguir comprovam isso, mas não deixa de ser estranho, não deixa de quebrar um pouco a magia, você ver, por exemplo,  o Luke Skywalker confraternizando com a Miss Piggy, ou o Hannibal Lecter comendo uma batatinha frita…

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Uma dica ótima de minha amiga Lúcia Moro!