Heróis de verdade do cinema

Taí uma coisa que eu não sabia: que grandes astros de Hollywood serviram para valer na 2ª Guerra Mundial. Não num estúdio com efeitos especiais, não. Mas ralando mesmo, seja no Pacífico, seja na Europa. Alguns viriam a ser celebridades das telas mais tarde, outros já eram famosos e se alistaram. Olha só:

Alec Guinness comandava uma embarcação anfíbia da British Royal Navy no dia “D”, na Normandia.

David Niven foi tenente-coronel dos Comandos Britânicos na Normandia.

James Stewart ingressou na Força Aérea do Exército americano como soldado e chegou a alcançar o posto de coronel. Durante a 2ª Guerra Mundial, Stewart serviu como piloto de bombardeio. Em sua folha de serviços, constam mais de 20 missões sobre a Alemanha. Foi condecorado com a Medalha Aérea, a Cruz Distinta de Voo, a Cruz de Guerra Francesa e 7 Estrelas de Combate. Ao acabar a guerra, Stewart continuou como reservista na ativa e alcançou o posto de general de brigada, indo para a reserva, no final dos anos 1950.

Clark Gable alistou-se como soldado na USAF, em 1942, já como astro, apesar de ter ultrapassado a idade para recrutamento. Foi promovido a tenente neste mesmo ano. Passou logo para a Escola de Artilharia e, em fevereiro de 1943, foi transferido para o 351º Grupo de Bombardeiros em Polebrook, onde realizou missões operacionais, sobre a Europa, nos B-17. O capitão Gable regressou aos EUA em outubro de 1943 e saiu do serviço ativo, como comandante, em junho de 1944, a pedido próprio, já que ultrapassara a idade permitida para entrar em combate.  Só então voltou a filmar.

Charles Bronson foi artilheiro na Força Aérea do Exército americano, especificamente nos “B-29” da 20ª Força Aérea, em Guam, Tinian e Saipan.

Lee Marvin foi fuzileiro naval em Saipán, durante a campanha das Marianas, sendo ferido e recebendo o Coração Púrpura.

Tyrone Power, ator de grande destaque na época, alistou-se como fuzileiro naval quando Pearl Harbor foi bombardeada, e serviu como piloto de transporte de material na evacuação de feridos em  Iwo Jima e Okinawa .

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As Cinco Terras – Cinque Terre

Cinque Terre é o nome dado a um acidentado trecho de terra, na Itália, na costa da Riviera Ligure, na Ligúria. Compreende as comunas de Monterosso, Vernazza, Riomaggiore com os distritos de Corniglia e Manarola. Estas localidades, que foram declaradas em 1997 Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, são caracterizadas pelo relevo montanhoso próximo ao mar. Típicos desta zona são os terraços, devidos à particular técnica agrícola usada para usufruir tanto quanto possível dos terrenos com grande inclinação.

O melhor modo de chegar até lá é por trem, já que é uma costa escarpada e com poucas rodovias. Além da cozinha baseada em frutos do mar, o melhor molho pesto genovês é feito por lá, junto com uma torta de limão execepcional e o vinho branco 5 Terre, produto típico da região.

Monterroso al Mare – rodeada por colinas com vinhas e olivais. Sua antiga torre medieval é hoje o campanário da igreja local.

Vernazza – foi fundada há quase 1.000 anos por escravos fugidos. Por isso tem inúmeros fortes e torres de observação, que serviam de defesa contra os piratas sarracenos e as invasões bárbaras.

Corniglia – fica no alto de um promontório, de onde se pode ver as outras quatro comunas. Para chegar até lá no alto, você precisa escalar uma escadaria de 377 degraus.

Manarola – também do tempo do Império Romano, fica mais oculta entre o rochedo e é a mais tranquila de todos os cinco vilarejos, por ter sido descoberto pelos turistas mais tarde. É possível seguir a pé até Riomaggiore por um caminho beirando o mar.

Riomaggiore – é um povoado estabelecido no século VIII por refugiados gregos, escapando de perseguição política. Suas casas seguem o estilo da Ligúria, casas-torre de três ou quatro pavimentos e pintadas de cores vivas.

Fica a dica para sua próxima viagem.

Travel and the City: Terra Estrangeira

ESTADOS UNIDOS | BRASIL

“Oh, sim, eu estou tão cansado

Mas não pra dizer

Que eu tô indo embora

Talvez eu volte

Um dia eu volto

Mas eu quero esquecê-la, eu preciso

Oh, minha grande

Ah, minha pequena

Oh, minha grande obsessão”  –  Vapor Barato, Gal Costa

Terra Estrangeira é um daqueles ótimos filmes escondidos pela falha do sistema de distribuição de longas no Brasil, e embora este texto não seja para desenvolver uma crítica cinematográfica, recomendo aos viajantes que o assistam, tanto  pela sua mensagem  quanto pela conexão com a história que pode ser estabelecida.

A decisão de deixar seu país e procurar novos rumos pode ser fácil/difícil, planejada/impulsiva, causar alívio ou até mesmo dor. Cada um tem sua história e motivações para começar de novo, em um novo mundo. Eu sou favor do ir, de se libertar e conhecer coisas novas pois uma vida baseada no que convencionalmente é considerado seguro pode…

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O leitor, onde está o leitor?

Este texto foi originalmente publicado há três anos, mas republico porque continua atual e importante.

Aplauso. Crianças na Casa de Leitura Chico Mendes, em Rio Branco, Acre: cultura e natureza – Governo do Acre/Divulgação

 

Os editores brasileiros revelam que estão publicando livros “demais”. Isto é uma verdade ou um mal- entendido? Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras disse que publica 280 títulos por ano e que “não dá para crescer mais com obras de mercado, até porque o mercado está muito competitivo. (…). Há editoras que hoje não conseguem entrar em redes de livrarias com um exemplar de algum título. Há uma superprodução. De livros, escritores, editores, um número de editoras grande surgindo”.

Sergio Machado, do Grupo Editorial Record, informou que em 2010 o Brasil editou 55 mil títulos, numa média de 210 obras por dia. Só a própria editora Record, comentou, coloca no mercado 80 títulos por mês. Seu proprietário revelou que tem 2 milhões de livros em galpões que lhe custam uma despesa alta.

Eis uma crise paradoxal. De excesso e de carência. Excesso de livros ou carência de leitores? Assim como um copo com metade de água pode ser visto como um espaço metade cheio ou metade vazio, permitam-me examinar a questão por outro ângulo, fazendo uma correção: o Brasil não produz livros “demais”, o Brasil produz leitores de menos. Há que “produzir” o leitor. E não estou falando de alfabetização. Essa cadeia do livro não existe sem o destinatário: o leitor. Não há excesso de livros, há falta de bibliotecas, de livrarias e de leitores. Há, por outro lado, centenas de iniciativas governamentais e particulares tentando corrigir isto. Todos, não só os editores, temos que modificar o conceito de livro, livraria, biblioteca, leitor e leitura, pois na verdade todo esse sistema em torno do livro está em crise (ou “metamorphose”).

Mas que crise é essa? Vejamos.

Crise, leitura e o pré-sal. Falar de leitura é uma auspiciosa novidade. Na década de 20 do século passado, Monteiro Lobato fundou uma editora brasileira e a literatura infantil. Com Borba de Morais e Mário de Andrade, na década de 30, redescobriu-se a biblioteca pública. Na mesma época o governo federal criou o Instituto Nacional do Livro pensando em editar uma enciclopédia e livros. Nos anos 50, Paulo Freire reinventou a alfabetização fazendo um plantador de cana aprender a ler em 45 dias.

Mas o conceito de leitura sempre esteve oculto, era o não-dito.

Leitura não se limita à “alfabetização”. Leitura não se limita à escola: trata-se de formar uma sociedade leitora, para o País enfrentar os desafios do século 21. Só em 1992 é que através do Proler pensou-se em implementar uma Política Nacional de Leitura. E desde 2006 que o PNLL (Plano Nacional do Livro e da Leitura) insiste numa política de leitura que atravesse todos os ministérios e seja uma determinação da Presidência da República. A rigor se poderia dizer: leitura é uma questão de segurança nacional.

Considerada a leitura como algo além da escola, algo além da alfabetização, algo que vai lidar com o “analfabetismo funcional” e com o “analfabetismo tecnológico”, haverá (como já começa a haver) programas de leitura em hospitais, quartéis, fábricas, sindicatos, empresas, tribos indígenas, igrejas, condomínios, acampamentos agrários, comunidades quilombolas, favelas, programas para aposentados e programa para cegos, surdos, mudos e outros deficientes físicos, etc.

Nos últimos anos, “agentes de leitura” e “mediadores de leitura” se espalharam pelo Brasil. A experiência positiva dos agentes de leitura no Ceará foi levada para o Ministério da Cultura e expande-se em vários Estados. No Acre foram criadas mais de cem Casas da Leitura interagindo com uma nova maneira de ler a cultura e a natureza. Os agentes ou mediadores de leitura devem chegar a 15 mil brevemente e têm sido treinados por instituições como a Cátedra de Leitura da PUC-RJ. O ideal é que se mesclem com os “agentes de saúde” e os “médicos de família”.

Nessa redescoberta da leitura, onde havia apenas o Instituto Nacional do Livro, espera-se a criação do Instituto do Livro, da Leitura e da Biblioteca e a nova administração da Fundação Biblioteca Nacional planeja construir 25 mil bibliotecas populares com livro de qualidade a 10 reais.

Enfim, a leitura é o verdadeiro pré-sal. O petróleo em si não resolve os problemas básicos de um país. Há países que têm petróleo e têm terríveis desigualdades sociais e opressão política. Há países que não têm petróleo e estão na ponta do processo civilizatório. E todos os países que realmente se desenvolveram passaram pela leitura. A leitura torna os livros vivos e desenvolve os países.

Torna-se irrecusável contar uma história verdadeira que narrei na recente Jornada Literária de Passo Fundo, quando Alberto Manguel e Kate Wilson debatiam equivocadamente sobre esse tema. Diz-se que o Marechal Rondon, no princípio do século passado, foi designado para conquistar grande parte do território brasileiro levando a comunicação através de postes e fios que conduziam mensagens telegráficas. Depois de ter instalado praticamente em todo o País esse sistema de comunicação, ao colocar o último poste na fronteira da Bolívia, ele foi surpreendido com a notícia de que Marconi havia acabado de descobrir o telégrafo sem fio…

Cem anos depois a situação se repete. Conseguiremos fazer na era do livro eletrônico o que não conseguimos fazer na era do livro impresso?

Se não conseguimos em 500 anos colocar uma biblioteca em cada canto do País, por outro lado, cada cidadão está se convertendo, à revelia de nossa incompetência histórica, em um “consumidor” de informação através da informática, do Google, da internet. Se temos apenas 2.600 livrarias e 6.500 cinemas, é bom que nos espantemos e nos rejubilemos com o fato de que temos 109.000 lan-houses e que só uma favela como a da Rocinha, que tem apenas uma biblioteca heroicamente construída e seguramente não possui nenhuma livraria, tem, por outro lado, 200 lan-houses.

Inclusão digital
Tem-se falado muito de “inclusão digital”. O Ministério da Comunicação (Gesac) informa que “telecentros” estão sendo implantados em todo o País e já existem 13.379 em 5.564 municípios. Eles podem ter o papel que as bibliotecas convencionais deveriam ter tido. Os “promotores de inclusão digital” são irmãos gêmeos dos recentes “agentes de leitura” ou “agentes de cultura”. Os telecentros oferecem 6.200 kits do MC às prefeituras. O telefone portátil, o iPad e o Google são uma realidade. Os 200 milhões de celulares são 200 milhões de bibliotecas em potencial à espera de nossa criatividade. Assim como um viajante do século 18 tinha uma maleta de viagem em que carregava algumas dezenas de livros para ler, hoje pela internet todos podem ter uma biblioteca em suas mãos, seja nas margens do Tocantins ou no Sul do País.

O Brasil está vivenciando três fatos novos:

1) A invasão da eletrônica em nossa vida cotidiana, nos jogando em outra era.

2) O surgimento de outras gerações chamadas de X, Y, Z, pelos especialistas em marketing: jovens que vivem zapeando. São “dispersivos”, fazem várias coisas ao mesmo tempo, não têm o sentido de “concentração” unidirecional que era a nossa característica. Nós os achamos superficiais. Mas, e se estivermos realmente diante de um fenômeno de mutação não exatamente genética, e sim cultural? Um daqueles momentos de “point of no return” que remete para a metáfora que McLuhan usou: a lagarta assustada olhando uma borboleta em seu esplendor, dizia: “Eu nunca me transformarei num monstro daqueles…”.

3) A emergência das classes C, D e E que até agora estavam fora do mercado, da comunicação e da cultura livresca. Quando a gente fala de classe C, falamos de um século de exclusão, sem saúde, sem saber o que é política.

Lembremos: o aprendizado já foi oral – o essencial era o uso da memória. Com a evolução, o saber passou a ser escrito. Hoje, passa pelo visual. Ou pode-se dizer, é oral, é escrito e também visual. O oral, o escrito e o visual se complementam.

Em algumas ocasiões tenho dito que, provavelmente, somos a última geração letrada. Gostaria de estar equivocado, que o futuro me desmentisse. Ou que descobrisse, ou que descobríssemos formas novas de ler. Se olharmos a história do Brasil, podemos detectar três momentos culturais e econômicos relevantes que nos forçam a uma decisão crucial no presente:

1) A febre do ouro e da pedras preciosas ocorreu quando éramos colônia e essa riqueza escoou para os cofres dos dominadores.

2) Tendo perdido essa chance, perdemos também a chance da revolução industrial nos séculos 18 e 19, porque aqui predominava a escravidão, a cultura agrária e a coroa brasileira era apenas cliente dos produtos industrializados europeus.

3) Estamos diante da revolução digital. Se perdemos as duas revoluções anteriores, hoje há algumas coincidências: a revolução digital chega com a avassaladora globalização, no momento em que o Brasil supostamente autossuficiente de petróleo incorpora outras classes e descobre o pré -sal.

Repito, para terminar: o verdadeiro pré-sal é a cultura e/ou a leitura. Os animais, os peixes, as árvores e até as bactérias leem constantemente o mundo antes de tomarem qualquer decisão. Por que o ser humano insiste em andar às cegas no universo da comunicação?

 

AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

É ESCRITOR, EX-PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL, CRIADOR DO PROLER (PROGRAMA NACIONAL DE INCENTIVO À LEITURA), DO SISTEMA NACIONAL DE BIBLIOTECAS, E EX-SECRETÁRIO GERAL DA ASSOCIAÇÃO DE BIBLIOTECAS NACIONAIS IBERO AMERICANAS, AUTOR, ENTRE OUTROS, DE SÍSIFO DESCE A MONTANHA (POESIA, ROCCO)