Expressões curiosas da língua portuguesa

Sempre quis descobrir a origem de certas expressões da nossa língua, e ainda bem que diversos estudiosos, dentre eles o prof. Pasquale, fizeram esse trabalho. Veja só:

JURAR DE PÉS JUNTOS:
“Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu”.

A expressão teria surgido por conta das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado pra dizer nada além da verdade. Até hoje o termo é usado pra expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.

MOTORISTA BARBEIRO:

“Nossa, que cara mais barbeiro!”

No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também tiravam dentes, cortavam calos, etc., e por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas. A partir daí, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão “coisa de barbeiro”. Esse termo veio de Portugal, contudo a associação de “motorista barbeiro”, ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira.

TIRAR O CAVALO DA CHUVA:

“Pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje!”

No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia colocar o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: “Pode tirar o cavalo da chuva”. Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.

DAR COM OS BURROS N’ÁGUA:

A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados. Daí em diante, o termo passou a ser usado pra se referir a alguém que faz um grande esforço pra conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo.

PARA INGLÊS VER:
A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, as leis eram criadas apenas “para inglês ver”. Daí surgiu o termo.

NHENHENHÉM:

Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indígenas não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer “nhen-nhen-nhen”.

VAI TOMAR BANHO:
Em “Casa Grande & Senzala”, Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contatos comerciais, o europeu se contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos de rio, além de usar folhas de árvore para limpar os bebês e lavar no rio as redes nas quais dormiam. Então, o cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com frequência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem “tomar banho”.

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE FURA:
Um de seus primeiros registros literários foi feito pelo escritor latino Ovídio ( 43 a .C.-18 d.C), autor de célebres livros como “A arte de amar “e “Metamorfoses”. Escreveu o poeta: “A água mole cava a pedra dura”. É tradição das culturas dos países em que a escrita não é muito difundida formar rimas nesse tipo de frase para que sua memorização seja facilitada. Foi o que fizeram com o provérbio, os portugueses e os brasileiros.

ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS

 

A expressão “onde Judas perdeu as botas” é usada para designar um lugar distante, desconhecido e inacessível. Existe uma história não comprovada que relata que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhara por entregar Jesus dentro de suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem seus sapatos, saíram em busca dos mesmos e do dinheiro da traição. Nunca ninguém ficou sabendo se tais botas foram achadas. Acredita-se que foi assim que surgiu tal expressão.

DOR DE COTOVELO

A expressão “dor-de-cotovelo”, muito usada para se referir a alguém que sofreu uma decepção amorosa, tem sua origem na figura de uma pessoa sentada em um bar e com os cotovelos em cima do balcão, enquanto toma uma bebida e lamenta a má sorte no amor. Tipo “meu mundo caiu…”, “ninguém me ama…”.  De tanto o apaixonado ficar com os cotovelos apoiados sobre balcão, eles deveriam doer. Esta é a ideia por trás da expressão.

ACABAR EM PIZZA

Uma das expressões mais usadas no meio político é “tudo acabou em pizza”, empregada quando algo errado é julgado sem que ninguém seja punido. O termo teria surgido no  futebol. Na década de 1960, alguns cartolas palmeirenses estariam reunidos para resolver alguns problemas e, durante 14 horas seguidas de brigas e discussões, ficaram com muita fome. Assim, todos foram a uma pizzaria, tomaram muito chope e pediram 18 pizzas grandes. Depois disso, simplesmente foram para casa e a paz reinou de forma absoluta. Após esse episódio, o jornalista Milton Peruzzi, que trabalhava  num jornal muito popular na época, A Gazeta Esportiva, deu a seguinte manchete: “Crise do Palmeiras termina em pizza”. Daí em diante o termo pegou.

DE MÃOS ABANANDO

Na época da intensa imigração no Brasil, no começo do século passado, os imigrantes tinham que ter suas próprias ferramentas. As “mãos abanando” eram um sinal de que aquele imigrante não estava disposto a trabalhar. A partir daí o termo passou a ser empregado para designar alguém que não traz nada consigo. Uma aplicação comum da expressão é quando alguém vai a uma festa de aniversário sem levar presente, por exemplo.

LÁGRIMAS DE CROCODILO

Quando dizemos que uma pessoa está chorando “lágrimas de crocodilo”, estamos querendo dizer que ela está fingindo, chorando de uma forma falsa. Tal expressão, utilizada no mundo inteiro, veio do fato de que o crocodilo, quando está devorando suas presas, faz uma pressão muito forte sobre o céu da boca e estimula suas glândulas lacrimais, dando a impressão de que o animal está chorando. Obviamente, o animal não “chora”, por isso surgiu a expressão popular.

DOURAR A PÍLULA

Antigamente, as farmácias embrulhavam as pílulas em papel dourado, para melhorar o aspecto do remedinho amargo. A expressão  significa melhorar a aparência de algo.

ESTAR COM A MACACA

A origem da expressão significava que a pessoa estava possuída pelo demo. Em algumas culturas, palavras tipo demônio, capeta ou diabo são sinais de má sorte. Para atenuá-los, esses vocábulos têm sido substituídos por cão e macaca. Atualmente, a expressão caracteriza a pessoa nervosa, estressada, irritada.

ERRO CRASSO

Licínio Crasso foi membro do primeiro triunvirato romano, juntamente com Pompeu e Júlio César. Era um político medíocre, ambicioso e interesseiro (lembra alguém entre os políticos brasileiros?…). Tomou a ofensiva na Síria contra os Partos, mas foi derrotado por um erro grosseiro de estratégia militar, que lhe custou a vida. Confiante na superioridade numérica de seu exército, e disposto a estraçalhar logo o inimigo, decidiu ganhar tempo cortando caminho por um vale estreito. Os sírios então fecharam as duas únicas saídas e o exército romano foi massacrado, incluindo ele próprio. Foi a decisão mais estúpida da história militar. Daí o significado da expressão.

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Um dia com Mr. Disney

Em 1943, os Estúdios Disney estavam engajados no esforço de guerra, tendo alistados pelo governo americano.  As coisas estavam pretas do ponto de vista financeiro. Os mercados europeus haviam secado, os lançamentos domésticos (Bambi e O Dragão Relutante) estavam com baixo desempenho nas bilheterias, e as coisas pareciam sombrias e sem grandes perspectivas de melhora. A guerra na Europa se intensificava e, na Ásia, o caldeirão estava fervendo.

Mas depois de Pearl Harbor, o governo federal montou uma operação de salvamento dos Estúdios e encomendou filmes de treinamento para as Forças Armadas e para a população em geral. Logo, os animadores passaram a produzir centenas de desenhos-animados. Muitos de treinamento para os militares, e outros de educação para a população, seja explicando a importância do racionamento, seja o que fazer para ajudar os soldados no front.

A historinha abaixo reproduzida, com desenhos de Roy Williams e textos de Ralph Parker, foi publicada em um boletim interno que Disney produzia para os funcionários e retrata um dia típico desse período, com as sucessivas idas e vindas no humor do patrão.

Se você clicar na imagem, ela vai aparecer em formato maior e ficará mais legível.

Abaixo dela, traduzo os textos, da esquerda para a direita na primeira coluna e assim sucessivamente:

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1. Walt, ao chegar ao estúdio, é recepcionado por um comitê de boas-vindas que lhe traz notícias…

2. O exército e a marinha se juntam a ele na sala de reuniões.

3. Joe Grant apresenta uma ideia a Walt e tenta hipnotizá-lo com seu olhar magnético, enquanto Dick Huemer reza esperançosamente.

4. Walt pondera sobre os valores filosóficos em um roteiro.

5.  E almoça com tranquilidade, conversando com três mesas ao mesmo tempo…

6.  Depois, aprecia calmamente um cigarro enquanto sua mente trabalha.   “Falta de mão-de-obra”  “Falta de película”   “Falta de papel”   “Falta de borracha”

7. Responde as cartas dos fãs.

8. Dubla o Mickey, uma tarefa que sempre foi sua exclusividade.

9. Dá uma volta pelo estúdio, onde é abordado por poucas pessoas com dúvidas a sanar.

10. Ouve a turma “vendendo” algumas gags para o filme “Victory Through Air Power”.

11. Ouve cuidadosamente as calmas considerações do Donald sobre seu dia de trabalho…

12. E pega uma carona pra voltar para casa.

 

Essa historinha ilustra com precisão as agruras e a genialidade de Disney, sem deixar de lado as críticas sutis à sua personalidade.

Uma observação: a produção “Victory Through Air Power” , de 1943, usando  uma combinação de animação humorística e falando sobre o desenvolvimento da guerra aérea,  trata de algumas ideias que podem levar os aliados a vencer a Segunda Guerra Mundial usando bombardeios a longa distância.

Quando tiver tempo para assistir, coloquei o filme completo logo abaixo:

Acho muito interessante conhecer as diversas fases pelas quais Walt Disney e seus artistas passaram ao longo de sua história.

Há cem anos o cinema conhecia Carlitos, o herói do homem comum

Por Inácio Araujo, crítico de cinema da “Folha de S. Paulo” e coordenador do curso “Cinema: História e Linguagem”.

Quando ninguém, ou quase ninguém, achava que o cinema era uma arte, só se admitia uma exceção: Charlie Chaplin, ou Carlitos, como se tornou conhecido. Desde 1914, quando estreou no cinema, descoberto por Mack Sennett, o rei da comédia do começo de Hollywood, notou-se que havia algo de muito particular nessa figura ágil e desafiadora. Não demorou para que Carlitos aparecesse como um fenômeno –só a irrupção da Primeira Guerra Mundial retardou uma consagração mundial ainda mais completa– e constituísse o tipo que o consagrou para sempre: o do vagabundo com ares nobres, caráter forte, contestador da ordem, inimigo do espúrio, amigo das garotas bonitas.

Sempre a dar um chute no traseiro do garçom metido a besta e a acolher um órfão, Carlitos impunha uma arte que chamava a atenção pelo humor (e nesse humor havia muito de desfaçatez) com que desmontava a ordenação da sociedade e combatia suas injustiças.

Mas o fazia de maneira especial. Desde que foi contratado pela Keystone, Chaplin impôs não apenas o tipo, mas logo em seguida assumiu também o controle dos filmes, da direção ao roteiro. Assim seguiriam as coisas nas outras empresas por que passou: a Essenay, a Mutual e a First National, antes de criar, com Griffith, Douglas Fairbanks e Mary Pickford, a United Artists, a companhia dos próprios artistas que haviam construído a possibilidade de não mais se submeter aos estúdios.

Como Carlitos, Chaplin gostava de ser dono de seu nariz. E, se Chaplin tornou-se um milionário graças a sua arte, como Carlitos ele nasceu miserável e soube compreender os pobres e suas dificuldades melhor do que qualquer outro. O fabuloso, no caso, é que podia mostrar não só sua solidariedade como o valor do homem oprimido com uma mímica única, em que as roupas serviam aos gestos, e os gestos à expressão facial. Um conjunto harmônico na desarmonia completa das situações em que se envolvia num mundo de força-bruta e das quais se saía com enérgica esperteza e inigualável imaginação.

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Assim nasceu o mito Carlitos. Herói mitológico de uma era, como antes fora Ullisses (para usar a comparação de André Bazin). Herói do homem comum, acossado pelo patrão, pelo senhorio inflexível, pelos seus serviçais metidos: em suma, por essa burguesia que conseguia impor-se às máquinas (não esquecer que o começo do século 20 é a era das grandes migrações, do processo de crescimento das metrópoles, de um novo entendimento do homem com a máquina). A esses ricos de verdade ou de fardamento Carlitos opunha os gestos nobres, uma  nobreza de alma que se desdobrava num corpo proletário, rebelde, sublevado.

À elaboração cuidadosa das gags correspondia uma filmagem trabalhosa. Para fazer os dois insuperáveis rolos de “O Imigrante”, por exemplo, uma de suas obras-primas,Chaplin precisou filmar 90 rolos. Em linhas gerais, para fazer 17 minutos filmou mais ou menos 15 horas…

Anúncio publicado na edição do dia 6 de julho de 1922 do jornal O Estado de S. Paulo, anunciando a estreia de “O Garoto”.

Sim, um gênio se faz com trabalho, com caráter. Tanto caráter que, quando chegou o cinema sonoro, Chaplin nunca aceitou que seu Carlitos falasse. “Luzes da Cidade”, de 1936, a última aparição do herói, tinha música e ruídos, mas não diálogos.

Esses surgirão em “O Grande Ditador”, é verdade, embora o discurso antológico em que  o ditador Hynkel ameaça o mundo seja um monte de ruídos incompreensíveis. Essa era a resposta do comediante judeu ao nazista, que ficou furibundo com o filme. Mas Chaplin sabia que Hitler é que imitava o seu bigodinho, e não o inverso. E sabia reduzir Hynkel/Hitler à insignificância, fazendo do humor uma gostosa arma de guerra.

E depois da guerra veio a Guerra Fria, a perseguição por sonegação de impostos (na verdade, perseguição ao britânico que não se dobrava às conveniências políticas do momento), o exílio: aquilo que melhor do que ninguém exprime Calvero, o triste palhaço de “Luzes da Ribalta”. É quando vai a Londres para apresentar seu filme que Chaplin decide renunciar à América, da qual se vingará em 1957 ao filmar “Um Rei em Nova York”.

Depois disso, Charles Chaplin só voltaria a filmar em 1965 sua “Condessa de Hong Kong”. O filme fracassa, apesar do elenco com Sophia Loren e Marlon Brando, apesar de ser defendido pelos chaplinianos radicais: ninguém vê mais a graça do palhaço, nem o gênio do diretor. Parece que o tempo de Chaplin, nascido em 1889, havia passado. Ele morreria em 1977.

Divirta-se com um trecho de seu filme “Idílio Campestre” (Sunnyside, 1919), uma amostra do talento desse gênio:

Família Trapo

Eu era criança ainda quando via meus pais se esbaldarem de rir com a “Família Trapo”, que passava na TV Record em 1966, 1967. Passei a assistir também, e me lembro de terem atuado por lá os maiores astros da época, como Pelé, Jair Rodrigues, Ronnie Von, entre tantos outros. A maior atração era o Ronald Golias, que fazia o Bronco Dinossauro, o cunhado folgado que infernizava a vida do chefe da família, o Peppino… Era hilário, e inspirou tantos outros programas similares da TV brasileira. 

Encontrei este texto, de Paulo Senna, que contextualiza esse programa histórico:

“O programa “Família Trapo”, nome extraído da família Von Trapp, de “A Noviça Rebelde”, teve como idealizadores Jô Soares e Carlos Alberto de Nóbrega, era gravado e foi exibido, em preto e branco, pela TV Record, canal 7 (SP), de 1967 a 1971, todos os domingos, às 20h. Dirigido e produzido por Manoel Carlos, que passou a revezar as funções com Nilton Travesso e Tuta de Carvalho a partir de 1969.

A história era simples e tinha a família de Peppino Trapo (Otelo Zeloni) e sua mulher Helena (Renata Fronzi); Verinha (Cidinha Campos); e pelo irmão, Sócrates (Ricardo Corte Real), como base. Além deles, somavam-se diversos convidados especiais, como Pelé, Hebe Camargo e Elizeth Cardoso.

Porém, era em torno do atrapalhado irmão de Helena, o cunhado folgado Carlos Bronco Dinossauro (Ronald Golias), que chamava com desdém o mordomo Jô Soares de “lacaio”, que giravam grande parte das histórias engraçadas da semana. O programa era gravado ao vivo, numa única sessão, e era inevitável que os improvisos fossem ao ar. Estava aberto o caminho para que Bronco com o bordão “Essa família vai mal!”, improvisasse à vontade, frequentemente deixando os colegas de cena atônitos. Ele modulava a voz, falava com um acento caipira do interior de São Paulo, distorcia e criava palavras, cortava sílabas para melhor enfatizar a ignorância do personagem. Como o programa era gravada ao vivo, numa única sessão, era inevitável que os improvisos fossem ao ar. Pensem agora num ator que não escolhia lugar para loucuras, por várias vezes interrompeu os diálogos do programa para ir ao banheiro, assim era Golias, que sempre avisava: “Já volto!”. Zeloni aproveitava a deixa para gozá-lo. “Está todo mundo sentindo o cheiro. Ninguém suporta a peste!”. A plateia gargalhava. 

Ricardo, Golias e Pelé.

A plateia era animada e enchia as dependências do Teatro Record-Consolação. Os ingressos eram cobrados, e mesmo assim havia uma grande disputa por um lugar para acompanhar as engraçadas aventuras da divertida e confusa família. Aliás, as pessoas aglomeradas na rua chegavam a parar a Rua da Consolação. Após um incêndio no Teatro o programa passou a ser feito nos estúdios da TV Record (na Av. Miruna), e depois no Teatro Record-Centro, ex-Teatro Paramount e atual Teatro Renault, em São Paulo.

No início, ele tinha muito da simplicidade do bairro paulista da Moóca, mas mesmo assim passou a ser transmitido para os cariocas pela TV Rio, canal 13. O sucesso estrondoso provocou mudanças no segundo ano da série. Então, os autores Jô Soares e Carlos Alberto de Nóbrega, resolveram criar um texto onde a família receberia uma bolada da loteria e com isso acabavam mudando para uma casa maior e também ganhava um novo personagem, o mordomo Gordon, vivido pelo próprio Jô Soares.

Já no terceiro ano de exibição do programa, apareceu na casa dessa engraçada família uma moça, chamada Assunta, vivida pela comediante Dercy Gonçalves, que se apresentava como a noiva do Bronco. Ela ficou apenas dois meses no programa, mas em compensação junto com Golias quase matavam seu público e os colegas de elenco de tanto rir. A gente não sabia mais o que fazia parte do texto e o que era improviso da dupla, principalmente nas cenas em que estavam apenas os dois no palco.

O escritor Manoel Carlos enviou para o Blog Nostalgia um depoimento sobre o programa:

— A “Família Trapo” foi um programa enriquecedor para todos nós que participamos dele. Não nasceu para ser o que acabou sendo, pois passou por várias transformações enquanto era elaborado. O resultado foi fruto de muita conversa, entre nós – realizadores -, e os autores Jô Soares e Carlos Alberto de Nóbrega. O programa continua dando muitos filhotes, alguns de grande sucesso, como “A Grande Família”, “Sai de Baixo” e “Toma lá, dá cá”. É natural que um programa gere outros e não vejo nisso nada de negativo. Fui um dos produtores e diretores da “Família Trapo” durante todo o tempo em que ela permaneceu no ar, pela TV Record. Se tínhamos na época o Golias como curinga, temos agora o Falabella, que é um artista extraordinário. A fórmula é inesgotável e sempre fará sucesso, se realizada com talento, como é o caso do “Toma lá, dá cá” — revelou o nosso querido Maneco.

Essa é a opinião de alguém que entende muito do assunto. Porém, não podemos esquecer que aqueles foram momentos inesquecíveis da televisão brasileira e que dificilmente poderão ser substituídos. Quem não viu, talvez ache que estou exagerando, mas podem acreditar: era puro humor. Tanto que o programa ficou no ar durante quatro anos e até hoje sua formula é imitada. Porém, na “Família…” quase todos traziam elementos teatrais em seu sangue, mas os vários sitcoms que esse programa inspirou está longe dessa teatralidade, que seria vista atualmente como amadorística ou ingênua, pelos altamente tecnocráticos fabricantes de risos de hoje. Já não se imita a “Família Trapo”, mas se faz imitação da imitação da “Família Trapo”.

Dizem que a TV Record dispõe de apenas dois episódios da série, os demais teriam se perdido em incêndios, ou sido desgravados para reaproveitamento de fitas”.

Todas as informações deste texto e as imagens que o  ilustram foram pesquisadas em sites da Internet e no Blog
de Rafael Capanema. 

No link a seguir, coloquei um trecho do programa com Pelé. Dá para sentir a “vibe” do pessoal…Aqui!

ATUALIZAÇÃO – uma correção foi feita pelo próprio Ricardo Côrte Real, conforme se comprova nos comentários: o programa era gravado às sextas e ia ao ar nos sábados, e não domingos.

Arte no lixo

O artista espanhol Francisco de Pájaro tem mudado a paisagem urbana de grandes cidades como Barcelona, Madrid, Londres e Berlim de uma forma simples e criativa: com um pouco de tinta ele faz intervenções artísticas no lixo e em objetos abandonados nas ruas.

O resultado são obras de arte inusitadas, que, segundo ele, “mostram o pior e o melhor do ser humano”.

Veja algumas imagens de suas obras e perceba que não é preciso muito para humanizar nossas cidades. Mas, também, se um dia as pessoas forem mais civilizadas e deixarem de emporcalhar o lugar onde vivem, o artista ficará sem sua “matéria-prima”… E festejará!

Como ele mesmo diz, “não tenho ideia do que seja arte”:  No tengo ni puta idea de lo que es el arte. Ni me importa. Lo que si me importa y me daña eres tú. Tu persona, tu arrogancia estúpida, tu comportamiento abusador contra los débiles, tu egoísmo, tu codicia, tu envidia, tu capacidad de destrucción. Tú eres la mentira y la gran basura. Yo, tan solo soy una brocha de pintura cargada de rabia que se rebela en tu contra…fuck off.

Disneylândia, seis décadas!

Há seis décadas, a Disneylândia começou a ser construída, para ser aberta ao público no dia 17 de julho de 1955, em Anaheim, na Califórnia, uma cidade que fica a pouco mais de 40 km de Los Angeles. Fundada em 1857 por famílias alemãs, com o passar dos anos foi incorporada à grande Los Angeles e tem hoje mais de 300 mil habitantes.

Vista aérea da Disneylândia em Anaheim, 1963. No centro, à direita, a atração “Piratas do Caribe” ainda em construção. Ela foi aberta apenas em 1967, porque na época desta foto, os engenheiros da Disney estavam ocupados com as atrações que iriam ser mostradas na Feira Mundial de Nova York, de 1964.

Walt Disney veio com a ideia de um parque de diversões para todas as idades depois de visitar vários parquinhos com suas filhas e notar que os adultos ficavam entediados enquanto as crianças de divertiam.  Inicialmente, ele imaginou uma atração para os turistas adjacente ao seu estúdio, em Burbank, mas logo viu que a área era pequena demais para o que imaginara.

Depois de contratar um consultor para que que o ajudasse a determinar o lugar ideal para construir seu sonho, Walt comprou cerca de 65 hectares de laranjais em Anaheim, em 1953.

Nesta foto, Walt Disney está mostrando os planos de sua Disneylândia para as autoridades locais, que de início se mostravam relutantes em fornecer as licenças para a construção do parque.

Vendo dificuldades em conseguir financiamento junto aos bancos para seu projeto de um parque temático, totalmente inovador na época, Disney pensou em novas formas de obter esses fundos, e concebeu um programa de televisão chamado “Disneylândia”, que seria veiculado na ainda novata rede ABC de televisão e divulgaria o parque e suas atrações, aproveitando o acervo de seus desenhos animados e produzindo programas especialmente criados para a TV, como os seriados “Zorro” e “Davy Crocket”, que se tornaram uma verdadeira febre junto às crianças, além do programa “Clube do Mickey”, que continuou popular por muitas décadas. Em contrapartida a esse programa – que logo se tornou líder de audiência – , a rede ajudaria a financiar o parque. Assim, durante seus primeiros cinco anos de operação, a Disneylândia era de propriedade da Disneyland Inc., uma empresa da Walt Disney Productions, Walt Disney, Western Publishing (editora que publicava os quadrinhos do Tio Patinhas, Mickey, Donald e outros personagens) e a ABC.  Além do dinheiro da rede de TV, Disney ainda “alugou” o patrocínio de muitas lojas na Main Street e algumas atrações para outras empresas. Em 1960, a Walt Disney Productions comprou a participação das outras empresas e, em meados dos anos 1990, acabou comprando sua antiga parceira, a rede ABC.

Em frente a um esboço do que seria feito, Walt Disney revela seus planos para a Disneylândia durante a estreia do programa de televisão ‘Disneylândia’, em 27 de outubro de 1954.

Revista lançada por ocasião da estreia do programa de TV na rede ABC.

Walt Disney exibe os esboços do que seriam o castelo da Bela Adormecida, a entrada da Terra da Fronteira e a rua na Terra da Fronteira onde haveriam shows de cowboys, restaurantes e lojas de presentes.

A seguir, fotos de diferentes etapas da construção do “lugar mais feliz do planeta”:

Finalmente, depois de muitos obstáculos, a Disneylândia é inaugurada em Julho de 1955.

A inauguração foi televisionada nacionalmente.

O Disneyland Hotel foi aberto ao lado da Disneylândia em 1955, meses depois da inauguração do parque. De início, os hóspedes tinham que ir de carro para visitar o parque.

Só em 1959 foi inaugurado o monotrilho, na Terra do Amanhã, e dois anos depois, em 1961, ele foi ampliado até o hotel e se tornou o primeiro monotrilho a cruzar uma via pública no mundo.

Nesta foto, vemos três das mais populares atrações da Disneylândia, e todas inauguradas no mesmo dia, 14 de julho de 1959: O Matterhorn (uma montanha-russa indoor); a Submarine Voyage (onde se pode passear num submarino atômico pelos sete mares) e o monotrilho, que leva as pessoas a um passeio por todo o parque.

Outro meio de transporte da Disneylândia, e que pode ser usado para visitar todas as principais atrações, é o Maria-Fumaça. Walt Disney era maluco por esses trens, e tinha um deles em miniatura em sua própria casa, no qual levou Salvador Dali para passear (veja aqui). Os trens da Disneylândia funcionam hoje em dia com biocombustível criado a partir de óleo de cozinha usado nos hotéis do parque.

Atração inspirada pelo desenho animado “Dumbo”.

Legenda original da foto de 1955: “Este foguete na Disneylândia simboliza a Tomorrowland. Nesta atração, adultos e crianças podem ‘fazer um passeio’ de foguete para a lua. A simulação é feita com efeitos realistas”.

A Terra do Amanhã (Tomorrowland) sempre foi uma das “terras” mais populares do parque, depois da “Terra da Fantasia” e da “Terra da Fronteira”. Na foto abaixo, os visitantes descansam à sombra do famoso foguete, que foi um dos marcos da Disneylândia.

Em 1954, Disney teve a ideia de uma atração que continua uma das mais populares até hoje, a “Jungle Cruise’,  um tour guiado de sete minutos por selvas do mundo inteiro e no qual os visitantes curtem a exuberante vegetação tropical e animais exóticos.

Na foto, de 1964, Disney supervisiona a instalação de novos animais audioanimatrônicos na “Jungle Cruise”.

E, para encerrar, um slideshow que tenta resumir como foi essa jornada que já dura sessenta anos!

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Fonte:

MSN

Wikipedia

 

Texto sobre mulher de Jesus é verdadeiro

Imagem mostra inscrição em papiro do século 2 que causou polêmica em 2012. O texto menciona que Jesus foi casado, segundo pesquisa da Universidade de Harvard divulgada na ocasião. Agora, uma nova análise atesta que o documento não é falso. “Nenhuma evidência de fabricação moderna (‘falsificação’) foi encontrada”, declarou a Harvard Divinity School em um comunicado. O fragmento provavelmente remonta a uma data entre os séculos 6 e 9, mas poderia ter sido escrito até mesmo no segundo século da Era Comum, segundo os resultados do estudo publicados na Harvard Theological Review.

Abaixo, a tradução feita pelos estudiosos de Harvard:

Acredita-se que o fragmento seja proveniente do Egito e contém escritos na língua copta, que afirmam: “Jesus disse-lhes: ‘Minha esposa…'”. Outra parte diz ainda: “Ela poderá ser minha discípula”. 

Pelo fato de a tradição cristã afirmar que Jesus não era casado, o documento atiçou os debates sobre o celibato e o papel das mulheres na Igreja. O jornal do Vaticano declarou que o papiro era uma farsa, juntamente com outros estudiosos, que duvidaram de sua autenticidade baseados em sua gramática pobre, texto borrado e origem incerta.

Mas essa nova análise científica do papiro e da tinta, bem como da escrita e da gramática, mostrou que o documento é antigo. A datação por radiocarbono do papiro e uma análise da tinta utilizando espectroscopia Micro-Raman foram realizadas por especialistas da Universidade de Columbia, da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

“A equipe concluiu que a composição química do papiro e os padrões de oxidação são consistentes com papiros antigos, ao comparar o fragmento do Evangelho da Esposa de Jesus (Gospel of Jesus’ Wife – GJW, em inglês) com um fragmento do Evangelho de João”, declarou o estudo. “O teste atual suporta, assim, a conclusão de que o papiro e a tinta do GJW são antigos”, esclareceu.

A origem do papiro é desconhecida. Karen King, historiadora da Harvard Divinity School, o recebeu de um colecionador – que pediu para permanecer anônimo – em 2012. King, uma historiadora do cristianismo primitivo, declarou que o fato da ciência mostrar que o papiro é antigo não prova que Jesus era casado:

“A questão principal do fragmento é afirmar que as mulheres que são mães e esposas podem ser discípulas de Jesus – um tema que foi muito debatido no início do cristianismo, num momento em que a virgindade celibatária se tornou cada vez mais valorizada. Este fragmento do evangelho fornece uma razão para reconsiderar o que pensávamos que sabíamos, ao se perguntar o papel que as declarações sobre o estado civil de Jesus desempenharam historicamente nas controvérsias cristãs sobre casamento, celibato e família”.

King declarou que a data do documento – escrito séculos depois da morte de Jesus – significa que o autor não conhecia Jesus pessoalmente. Sua aparência grosseira e os erros gramaticais sugerem que o escritor tinha apenas uma educação elementar, acrescentou.

Leo Depuydt, professor de Egiptologia da Universidade Brown, escreveu um artigo, também publicado na Harvard Theological Review, descrevendo por que acredita que o documento é falso:

“O fragmento do papiro parece perfeito para um esquete do Monty Python”, declarou. Ele apontou erros gramaticais e o fato de as palavras “minha esposa” parecerem ter sido enfatizadas em negrito, o que não é utilizado em outros textos coptas antigos: “Como um estudante de copta convencido de que o fragmento é uma criação moderna, sou incapaz de fugir à impressão de que existe algo quase engraçado no uso das letras em negrito”.

King publicou uma refutação às críticas de Depuydt, dizendo que o fato de a tinta estar borrada era comum e que as letras abaixo de “minha esposa” eram ainda mais escuras.