As melhores empresas aéreas… E as piores!

A Emirates, dos Emirados Árabes Unidos, foi eleita a melhor empresa aérea do mundo. A companhia, que havia ficado com a 8ª colocação no ano passado, superou a Qatar Airways, eleita a melhor do mundo nos últimos dois anos. A eleição é feita pelo Skytrax, maior site de avaliação desse tipo.

Cabine de primeira classe Emirates Airline (Foto: Divulgação)

A primeira classe da Emirates abriga oito suítes privativas (com porta e sinal de ‘Do Not Disturb’) onde o passageiro pode encontrar um minibar repleto de snacks, pijama, chinelos, armário para ternos, espelho, penteadeira e tela LCD de 23 polegadas.

O Skytrax World Airline Awards (Prêmio Mundial de Linhas Aéreas) é considerado uma espécie de ‘Oscar’ da aviação. Ele se baseia em uma pesquisa de satisfação com mais de 18 milhões de viajantes de mais de cem países e elege anualmente vencedores em várias categorias, considerando sempre o critério de uma viagem longa na classe econômica.

A Qatar Airlines, que é metade do governo e metade privatizada, foi o 1º lugar no ano passado e ficou em segundo em 2013. Já voei por ela, é muito boa também.

Classe econômica da Qatar.

As empresas asiáticas lideram entre as dez primeiras colocadas da lista, com cinco premiações: Singapore (Cingapura, 3º lugar), ANA (Japão, 4º lugar), Asiana Airlines (Coreia do Sul, 5º lugar), Cathay Pacific (China, 6º lugar) e Garuda Indonesia (Indonesia, 8º lugar). Ainda figuram entre as top10, as empresas Turkish Airlines (Turquia) e Qantas Airways (Austrália), na 9ª e 10ª colocação, respectivamente.

A LAN foi considerada a melhor companhia aérea da América do Sul em 2013. A TAM, vencedora em 2012, ficou em segundo lugar. Já a Azul foi tricampeã na categoria de melhor companhia de baixo custo da América do Sul, e a Avianca recebeu o prêmio de melhor serviço de bordo da região.

Bem, está tudo muito bom, está tudo muito bem… E quais são as PIORES companhias aéreas do mundo?

Do mesmo modo que para eleger as melhores, as piores foram escolhidas pelas opiniões de usuários e avaliações de itens como conforto da poltrona, entretenimento a bordo, limpeza e condições da cabine, qualidade das refeições e eficiência dos serviços.

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Classe econômica da Turkemenistan Airlines.

O primeiro lugar no ranking das piores companhias aéreas do mundo para viajar em classe econômica ficou com a empresa do Turcomenistão, país da Ásia central. A Turkemenistan recebeu notas ruins para serviço de entretenimento a bordo, conforto das poltronas, eficiência dos serviços, resposta dos funcionários a pedidos dos passageiros e habilidade dos funcionários com idiomas estrangeiros. Ou seja, em tudo!

O sofrimento continua na Sudan Airlines, na Ukraine International (que recebeu notas baixas no item limpeza), na Iceland Express (que conecta a capital da Islândia a Boston e cidades europeias e foi mal avaliada devido ao serviço de refeições, falta de equipe a bordo e assistência durante o embarque).

Mas existem duas entre as companhias aéreas mais mal avaliadas pelos passageiros que chamaram a atenção. Uma é a Air Koryo, e os voos da estatal da Coreia do Norte receberam uma baixa avaliação dos passageiros por motivos compreensíveis: as viagens incluem “música de marcha revolucionária” e os alimentos são descritos nos cardápios dos voos como “comestíveis” – e só.

Refeição a bordo da cia. aérea norte-coreana, não identificada…

A outra é a Nepal Airlines, e os pontos fracos da companhia aérea, segundo o levantamento, são as refeições e o atendimento dos funcionários para as solicitações dos passageiros. Além disso, o histórico da companhia é um pouco incomum: a empresa confirmou ter sacrificado dois bodes, em 2007, para agradar a um deus hindu após uma série de problemas técnicos em suas aeronaves…

“Fui o bode expiatório!”

 
 NOTA: Sabe de onde vem a expressão “bode expiatório”? Ela vem da Bíblia, mesmo. No Antigo Testamento,  Moisés diz que os judeus deveriam sacrificar um bode e oferecê-lo a Deus, para expiar os pecados do povo de Israel. Os judeus pararam de fazer essa cerimônia há muito tempo, mas a imagem do bode expiatório continuou significando aquele culpado inocente, tipo o que é responsabilizado pela culpa do outro. Como os bodes, que não tinham nada a ver com as panes dos aviões…

O dia em que Walt Disney se encontrou com Salvador Dalí

Um belo dia, eclode a Segunda Guerra Mundial e, em 1942, Salvador Dali se muda para os Estados Unidos com a esposa Gala, onde ficou até 1948. Ele voltou para a Espanha no ano seguinte, vivendo na Catalunha até sua morte.

Nesse meio tempo, Walt Disney estava preocupado. A Segunda Guerra Mundial estava arrasando a Europa e, junto com ela,  os cofres de seu estúdio. Sem o mercado europeu para seus filmes, e com praticamente toda a economia de seu país voltada para o esforço de guerra, restara-lhe pouco mais a fazer do que os desenhos- animados destinados ao treinamento dos militares ou como propaganda, tudo sob encomenda do governo ou das Forças Armadas. Outra fonte de preocupação para Walt eram os críticos, porque muitos deles diziam que seus filmes sempre sacrificavam o genuíno talento artístico em prol de produções mais comerciais. Segundo eles, Walt favorecia a animação tradicional em prejuízo da inovação e da experimentação.

O lançamento de “Fantasia” em 1940 foi o primeiro passo no sentido de silenciá-los,  e Walt buscava desde então um cala-boca definitivo. Era por esse motivo que o criador do Mickey e do pato Donald ficava atento aos pintores e aos artistas de mais renome. “Assim como aconteceu na sequência do Monte Calvo em ‘Fantasia’, que foi criada por Kay Nielson”, disse Walt numa entrevista da época,  “eu quero dar mais oportunidades aos grandes artistas. Nós precisamos deles, nós temos que estar sempre abrindo novos caminhos”. E foi numa festa na mansão do big-boss da Warner Bros, Jack Warner, que Walt Disney encontrou Salvador Dali

Walt Disney and Salvador Dalí met during an Alfred Hitchcock's filming. Image: 3cat/24.cat

Os bigodes se conhecem pessoalmente.

Era uma festa típica de Hollywood, com a presença de todas as grandes estrelas dos anos 1930 e 1940. E, por mais inusitado que pareça, foi esse o palco em que dois dos maiores visionários da História das artes se conheceram. E desse encontro, saiu um projeto que levou 57 anos para ser completado.

Na ocasião, 1944, Dali estava elaborando uma sequência para o filme “Quando fala o coração” (Spellbound), de Alfred Hitchcock, e que foi lançado um ano mais tarde. Esse foi o primeiro filme hollywoodiano a tratar da psicanálise e trazia no elenco Ingrid Bergman e Gregory Peck. A sequência que Dali criou para o filme foi a cena dos sonhos, cheia de imagens psicoanalíticas.

Salvador Dali já era muito conhecido em todo o mundo como o mais influente artista surrealista do século, e Disney o convenceu a trabalhar no projeto de um curta-metragem chamado “Destino”, que seria incluído numa antologia de curtas na linha de “Música, Maestro”. Esta antologia era composta por dez curtas e marcava a situação dos Estúdios Disney na época, sem recursos para produzir um novo longa de animação, mas tendo que lançar novas produções com regularidade.

O segmento mais conhecido da coletânea “Música, Maestro”, Pedro e o Lobo.

“Destino”, segundo o próprio Walt, “era uma simples história de amor, na qual um rapaz conhece uma moça”. Com o mesmo título de uma canção folclórica mexicana, o desenho planejado seguiria o ritmo da música num cenário de sonhos, sendo a expressão poética dos arroubos causados pelo amor. Dali trabalhou entre 1945 e 1946, produzindo vinte e duas telas e 135 esboços de cenas de animação para o projeto, que resultaram em dezessete segundos de filme.

Dali trabalhando nos Estúdios Disney, em Burbank, Califórnia, EUA.

Abaixo, algumas das telas e esboços produzidos por Dali:

O desenho animado tinha como ponto central a importância do tempo em nossa espera pela ação do destino. E as ilustrações de Dali eram típicas, com objetos se transformando em outros, as imagens duplas… O mais incrível era ver o elitismo de Dali se combinando com a linguagem de massa de Disney.

Dali trabalhou como funcionário dos Estúdios durante oito meses, chegando todos os dias pontualmente às oito e meia da manhã e trabalhando direto até as cinco da tarde.  Disney diria mais tarde que ele “borbulhava com ideias”. Mas, infelizmente, o projeto foi abandonado em 1947 quando os recursos próprios acabaram e os estúdios não conseguiram financiamento. Disney também ficou com medo de que o público não aceitasse “Destino” se fosse lançado sozinho, por ser surreal demais, aumentando ainda mais o rombo do caixa. E assim, “Destino” ficou esquecido nos arquivos dos Estúdios durante quase seis décadas.

Felizmente, o sobrinho de Disney, Roy, se animou em finalizar o curta-metragem (que só tinha dezessete segundos) em 1999, utilizando as novas tecnologias disponíveis para emular a qualidade plástica das imagens multidimensionais de Dali. Uma equipe de 25 animadores trabalhou para decifrar os storyboards desenhados por Dali e realizar o projeto. E assim, 57 anos depois, a ideia concebida por Dali e Disney finalmente nasceu. “Destino” é a perfeita combinação da imaginação desses dois gênios:

A sequência original de 17 segundos é a das tartarugas. O filme conta a história de Cronos e a incapacidade dele de concretizar seu amor por uma mortal.  E enquanto Disney descreveu o filme como uma simples história de amor, Dali o descreveu como sendo “a visualização mágica da vida no labirinto do tempo”.

Mesmo com o fiasco do empreendimento, a amizade entre os dois sobreviveu. A filha de Walt, Diane, relembra como os dois continuaram a se visitar ao longo dos anos, e como Dali adorava andar no trem que seu pai mantinha em casa: ” Mesmo em pleno verão, ele estava vestido com um sobretudo preto, de gravata. Ele se sentava num dos pequenos vagões, com  sua bengala na posição vertical na frente dele. “

Aqui, Walt faz uma visita a Dali na Espanha.

Dali, Walt e as duas esposas, Gala e Lilian Disney.

Dali avaliando um dos primeiros trens que Walt montou no terreno de sua casa. Disney era fissurado por trens desde a infância.

Ideia do post sugerida por Ione Fabiano.